A Praia da Rainha é um ponto de uma linha muito comprida: os mais de 15 quilómetros de areal quase contínuo da Costa da Caparica, no lado atlântico do estuário do Tejo, do outro lado do rio em relação a Lisboa. Fica dentro da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, que é a maneira geológica de dizer que as arribas atrás de nós se lembram de quando o mar estava noutro lugar.
A praia é uma função da maré. Na maré baixa cresce, e junto à beira-mar formam-se poças que ao pôr do sol se transformam em espelhos. As variáveis práticas: nadadores-salvadores nos meses de verão, um restaurante com esplanada sobre as dunas, um heliporto para emergências e, no verão, uma paragem do Transpraia, o pequeno comboio que percorre as praias da Caparica.
A praia está virada a poente, por isso todas as tardes o sol põe-se diretamente no Atlântico, pontual e sem bilhete. A noroeste, num banco de areia na foz do Tejo, ergue-se o Farol do Bugio: um forte começado no final do século XVI que ainda marca a entrada de Lisboa. Nos dias de neblina aparece e desaparece como uma conjetura por demonstrar.
Passámos aqui o verão de 2026, com a Area, a nossa sheltie, encarregada de inspecionar a areia. Estes fotogramas são o resultado de muitos fins de tarde no mesmo troço de praia: praticantes de paddle em contraluz, uma lua cheia sobre uma autocaravana e a outra margem a acender-se ao anoitecer. O mesmo lugar, outra luz, nunca duas vezes a mesma fotografia.
Na época alta, chegue cedo: o parque de estacionamento enche e é pago no verão. O pôr do sol, esse, é gratuito.










