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Parque Biológico da Serra da Lousã

Enunciado

Sessenta e tal espécies, uma encosta e um bufo-real que olhava para nós como se os expostos fôssemos nós.

O Parque Biológico da Serra da Lousã é um conjunto com mais de 300 elementos: animais de mais de 60 espécies, quase todas autóctones de Portugal, distribuídos por uma encosta da Serra da Lousã, em Miranda do Corvo, perto de Coimbra. Abriu em 2009; os castanheiros e carvalhos que dão sombra aos caminhos parecem bastante mais veteranos.

O Parque Selvagem é onde as variáveis ficam interessantes: lobos-ibéricos, ursos-pardos, linces, javalis e vários tipos de cervídeos, em espaços construídos dentro da floresta e não à volta dela. Muitas das aves de rapina já não conseguem sobreviver na natureza, e é por isso que um bufo-real consegue sustentar-nos o olhar a um metro durante mais tempo do que seria socialmente aceitável.

O resto do parque é uma demonstração por exaustão do Portugal rural: uma quinta pedagógica com raças autóctones, um labirinto de árvores de fruto, um roseiral e pequenos museus de tanoaria e de artes e ofícios tradicionais. É gerido pela Fundação ADFP, e parte da sua missão é empregar pessoas com deficiência no cuidado diário dos animais, um dado que vale mais do que qualquer legenda desta página.

Visitámo-lo no final de maio de 2026. Os gamos ainda tinham as hastes em veludo, o lince considerava o bocejo uma atividade a tempo inteiro e a quinta tinha acabado de lançar uma nova versão de cabritos e leitões. Quase todos estes fotogramas foram feitos através de redes: considere-as parte dos dados.

Conte com pelo menos meio dia. Os percursos acompanham a encosta, por isso o calçado confortável é um axioma, não uma sugestão.